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O que não estão te contando sobre growth hacking

Growth Hacking

 

No mundo do marketing, de tempos em tempos surgem “fórmulas mágicas” que prometem revolucionar o árduo trabalho de promover empresas, conquistar e fidelizar clientes. A mais recente é conhecida como growth hacking, que numa tradução literal significa “atalho para o crescimento”.

A expressão surgiu no Vale do Silício e se refere às táticas utilizadas pelas empresas de tecnologia iniciantes (start ups) para alcançar uma grande base de clientes no menor tempo possível e com o mínimo de investimento em propaganda. Ele combina diversas ações de marketing digital (SEO, PPC, virais, e-mail marketing, blogs), programa de afiliados e relações públicas com a análise pragmática da engenharia, ou seja, baseada em métricas e experimentação.

Casos de sucesso como o do Dropbox, que através do growth hacking conseguiu aumentar sua base de clientes de 100 mil para 4 milhões em 15 meses praticamente só boca a boca, são exemplos clássicos do poder desse novo método e o transformaram no sonho de consumo para as empresas com objetivo de crescer rápido sem gastar dinheiro com publicidade.

Método virou sonho de consumo para empresas que querem crescer investindo pouco em propaganda

Diante dessa nova demanda, é claro que já surgiram diversos “especialistas” em growth hacking prometendo resultados fantásticos com suas técnicas e fórmulas de crescimento rápido, não importa o perfil da empresa (desde, é claro, que tenha dinheiro para contratá-los). A maioria apenas utiliza o termo para chamar atenção e vender o seu trabalho, que muitas vezes consiste no planejamento de ações de marketing e vendas tradicionais.

Para não cair nesse truque, é fundamental entender o contexto em que o growth hacking surgiu e porque apresenta resultados tão impressionantes.

No Vale do Silício, as start ups dependem dos recursos de investidores para sobreviver, e estes só apostam suas fichas em produtos que apresentem perspectivas de crescimento exponencial em poucos anos, caso de aplicativos e serviços de internet como o Dropbox citado acima.Para continuar recebendo dinheiro dos investidores e crescer, as startups investem a maior parte dos seus recursos no desenvolvimento e aprimoramento dos seus produtos para obter a máxima satisfação dos usuários, a tal ponto deles se perguntarem: “Puxa, como consegui viver até hoje sem isso?”

Aqui está um aspecto que quase todo mundo dá pouca importância ou omite na hora de falar sobre growth hacking: a principal ferramenta de marketing é o próprio produto.

Como ninguém faz esse tipo de questionamento por um produto que nunca experimentou, a estratégia oferecer uma versão gratuita mais simples do aplicativo para que eles conheçam e recomendem a outras pessoas.

Aqui está um aspecto que quase todo mundo dá pouca importância ou omite na hora de falar sobre growth hacking: a principal ferramenta de marketing é o próprio produto. Se ele não tiver a capacidade de encantar os clientes, nenhuma técnica ou tecnologia, por mais bem elaboradas que seja, vai fazê-lo decolar.

Veja o caso do próprio Dropbox, que oferece uma forma de armazenar e acessar documentos na nuvem com a mesma facilidade com que você os guarda e acessa no seu computador. Se o serviço não fosse tão prático, fácil de usar e ainda gratuito, dificilmente teria alcançado tanto sucesso. O mesmo vale para outros cases, como o AirBnB e Uber. O que o growth hacking fez foi promover os seus benefícios para o público certo e incentivar o boca a boca.

Por fim vale lembrar também que, mesmo com tanto sucesso, o Dropbox e uma série de outros serviços que fazem uso do growth hacking (inclusive no Brasil) ainda não são lucrativos. Isso porque, como foi dito aí em cima, o principal objetivo inicial das start ups não é faturar com a comercialização de seus produtos, mas sim aumentar a base de usuários até uma massa crítica que viabilize: a) que uma parcela desse público esteja disposta a adquirir a versão paga; b) a abertura de capital e/ou c) a venda para uma empresa maior.

O principal objetivo inicial das start ups não é faturar com a comercialização de seus produtos, mas aumentar a base de usuários

Foi o que aconteceu, por exemplo, com o WhatsApp. Quando foi comprado pelo Facebook em 2014 por US$ 19 bilhões, a empresa possuía 600 milhões de usuários mas sobrevivia apenas da taxa anual que cobrava e que seria suficiente para manter a operação somente por mais alguns meses, caso não fosse adquirida por outra companhia.

Se a sua empresa não é uma start up de tecnologia, não tem investidores dispostos a bancar os seus gastos por anos, não tem um aplicativo capaz de fazer as pessoas se apaixonarem, não tem como disponibilizar uma versão gratuita e não pode operar no vermelho em um prazo de cinco a dez anos até conseguir abrir o capital ou passar o negócio para frente, desculpe a sinceridade, mas growth hacking não se adequa a você.

Isso não quer dizer, porém, que não seja possível agregar conceitos e técnicas de growth hacking para acelerar a aquisição de clientes. Mas o seu sucesso vai depender do alinhamento com demais objetivos de marketing e vendas, investimentos e capacitação da equipe interna e da agência responsável pelo marketing digital. Não acredite em fórmulas mágicas.

Sucesso vai depender do alinhamento com demais objetivos de marketing e vendas, investimentos e capacitação da equipe interna e da agência responsável pelo marketing digital

Sobre o Autor: Silvio Tanabe

Sócio da Clínica Marketing Digital, agência especializada em auxiliar empresas a expandir seus negócios através da internet.
http://www.clinicamarketing8ps.com.br